Artigo | As enchentes e a solidariedade humana

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As enchentes e a solidariedade humana

Qual a semelhança entre um gari desempregado de rua e um médico? O que leva uma pessoa a sair de casa em uma manhã de folga do trabalho para carregar sacolas e cestas básicas? O que faz com que um morador de rua dedique dez horas de seu dia ajudando pessoas tão pobres e sofridas quanto ele? A resposta é mais simples do que se imagina.

Recentemente, 69 municípios foram fortemente atingidos pelas fortes chuvas que passaram por Pernambuco, sendo 27 em estado de emergência e 12 em estado de calamidade. Os municípios de Cortês, Escada, Palmares, Barreiros e Catente são alguns dos locais que ficaram praticamente destruídos. O Governo do Estado criou pontos de apoio aos desabrigados e vítimas das enchentes, na operação reconstrução. As “embaixadas” – como foram chamadas – têm como objetivo prestar os serviços de maior urgência para as pessoas.

Mas o que realmente chama a atenção nas ações desenvolvidas pelas embaixadas é a quantidade de voluntários que trabalham diariamente. O Quartel da Policia Militar de Pernambuco, no Recife é o principal ponto de doação de materiais para as vítimas das recentes chuvas. Além dos funcionários do Estado, milhares de voluntários ajudam nessa luta pela sobrevivência. Aproximadamente 2,4 mil já se cadastraram como voluntários.

Gente que perdeu a casa ou que tem parentes desabrigados. Pessoas que, muitas vezes, não tinham quase nada e perderam tudo. Ou, até mesmo, quem nada sofreu com as chuvas, unem-se por um mesmo objetivo: ajudar o próximo. É o caso do médico Paulo Santana e do morador de rua Airton Oliveira, que foram objeto de matéria jornalística publicada recentemente. Ambos têm dedicado boa parte do tempo trabalhando voluntariamente em prol dos desabrigados, apesar de fazerem parte de realidades tão diferentes – um conceituado cirurgião dos hospitais particulares do Recife e o outro, um gari desempregado que vive nas ruas da cidade desde 2000, os dois trabalham arduamente para que as doações cheguem o mais rápido possível nas mãos dos necessitados. São heróis anônimos.

Em Palmares, por exemplo, cerca de quinhentas pessoas, dos quais trezentos são voluntários trabalham incansavelmente para ajudar as vítimas dessa verdadeira tragédia. A todo instante, caminhões e carros lotados de água mineral, roupas e alimentos descarregam na cidade. Onde outro grupo, com um número cada vez maior de pessoas, está a postos para receber, selecionar e dar destino às doações feitas por pessoas de todo o País.

Em um momento como esse ajudar os que mais precisam é de fundamental importância. Pobre ou rico. Branco ou negro. Jovem ou idoso. O que realmente vale em situações como essa é o amor ao próximo. É através desse sentimento que nossa vida ganha mais sentido. Como disse o sem teto, Airton de Oliveira, ao ajudar os outros “a personalidade cresce”. Temos que praticar a solidariedade. Ela é a esperança em um cenário repleto de tristeza e desespero.

Antônio Campos | Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br

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