Jorge Luis Borges

Há 25 anos, o mundo ficava órfão de um dos maiores escritores da Literatura. Jorge Luis Borges, vitimado por um câncer, nos deixou obras magníficas como ‘O Aleph’ e ‘História universal da infâmia’, entre outros livros que também ficaram marcados como alguns dos livros mais importantes do século 20. Foi um amante da arte literária. Escreveu, lecionou e disseminou a sua paixão pela Literatura e, certa vez, disse: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”.

Jorge Luis Borges

Um escritor latino-americano na geografia e universal na imensidão e valor do seu legado literário. Borges foi bibliotecário, professor de Literatura da Universidade de Buenos Aires e autor de vários poemas, contos e ensaios. Uma vida inteira próxima e dedicada aos livros. Com apenas sete anos de idade, descobriu e revelou que queria ser escritor. Aos nove, deu início à sua produção literária e escreveu o seu primeiro conto, intitulado “La Visera fatal”. A partir daí, não pararia mais.

O escritor argentino foi um cidadão do mundo. Morou na Espanha, Portugal, Argentina e, por fim, na Suíça, onde faleceu e foi sepultado. Por onde passou, comprou e escreveu livros. Amou, profundamente, as letras e os versos escritos e lidos. Mesmo quando não conseguia mais ler, devido a uma cegueira que o abateu, continuou comprando livros para alimentar a sua vontade de viver e paixão pela Literatura. Ainda na sua história com os livros, colecionou e leu enciclopédias de todo o mundo.

A poesia se fez presente para o argentino, principalmente, após a chegada da progressiva cegueira. Escreveu, então, “O livro de areia”, cujo título demonstra o abatimento da doença. Ainda assim, Borges não abandonou suas leituras e passou, então, a estudar árabe. No total, foram oito décadas de lealdade à Literatura, desde o seu primeiro conto e uma vida inteira de dedicação que nos presenteou com um arsenal de verdadeiras obras-primas literárias.

Antônio Campos

Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras

camposad@camposadvogados.com.br

Pernambuco – Jardim dos Baobás

Na rua da minha  residência, no Poço da Panela, há um belíssimo exemplar da árvore Baobá, que tenho o prazer de me deparar sempre que vou para a varando do meu apartamento. Pernambuco, extensão da minha casa, é um verdadeiro Jardim dos Baobás, a árvore da vida. Atualmente, é a árvore símbolo do município de Ipojuca, que possui a maior quantidade desses gigantes concentrados em um só local no nosso Estado. No âmbito nacional, possuímos mais da metade dos Baobás catalogados no país inteiro.

Espécie nativa da África, os Baobás chegam a viver cerca de dois mil anos. Além da beleza estridente, fornece alimento, água e matéria-prima para roupas, medicamentos, enfeites e doces. A perfeita união da utilidade sustentável com a beleza ecológica, da vitalidade com a longevidade.

Durante a quarta edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), em 2008, cujo tema foi a África, fizemos uma homenagem a essa espécie africana, em uma ação ecológica e cultural em Porto de Galinhas. Agora, durante a sétima edição da Fliporto, de 11 a 15 de novembro deste ano, em Olinda, chegou a hora de lançar um projeto cultural voltado para a sustentabilidade e área ecológica intitulado ‘Pernambuco – Jardim dos Baobás’. A intenção é, em parceria com o amigo e fotógrafo Marcus Prado, contar a história, em Pernambuco, dessa sagrada e bela árvore apresentada em um livro de Arte e também no meio virtual, através de um site. Haverá uma ação educativa na Fliporto Criança.

Além disso, fazer um mapeamento dos exemplares encontrados no nosso Estado e, principalmente, lutar pela preservação da espécie africana. É uma homenagem aos Baobás e reconhecimento do valor dessa árvore para o engrandecimento cultural e ecológico do Estado de Pernambuco.

O mais famoso exemplar está, hoje em dia, localizado na Praça da República, no centro da capital pernambucana. Sobre ele, escreveu o poeta João Cabral de Melo Neto em seu poema “Um Baobá no Recife“: “Recife. Campo das Princesas./ Lá tropecei com um Baobá,/ crescido em frente das janelas/ do Governador que sempre há. / Aqui mais feliz/ pode ter úmidos/ que ignora o Sahel./ Dá-se em copudas folhas verdes/ que dão as nossas sombras de mel/ Faz-se de jaqueiras, cajazeiras/ Se preciso, catedral/ Faz-se de mangueiras, faz da sombra/ que adoça o nosso litoral/ Na parte nobre do Recife/ onde o seu rebento chegou/ Vive, ignorado, do Recife/ de quem vai ver o governador./ Destes, nenhum pensou (se o viu)/ que na África ele é cemitério./ Se no tronco desse Baobá/ enterrasse os poetas de perto,/ criaria ao alcance do ouvido/ senado sem voto e discreto/ Onde o sim valesse o silêncio/ e o não…sussurrar de ossos secos.”

Antônio Campos

Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras

camposad@camposadvogados.com.br

Deepak Chopra na Fliporto 2011

Deepak Chopra na Fliporto 2011

O indiano Deepak Chopra é presença confirmada na próxima edição da Fliporto

Em comemoração ao aniversário de Fernando Pessoa

“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-a.

Se perder um amor, não se perca!

Se o achar, segure-o!”

(Fernando Pessoa)

Fela Kuti

Do estado de Ogun, na Nigéria, nasceu Fela Anikulapo Ransome Kuti, homem que deu origem ao estilo musical Afrobeat, uma bem sucedida fusão do jazz, funk e cantos tradicionais africanos. Além do conteúdo energético e de cunho político, suas canções possuem mais de 10 minutos de puro afrobeat, algumas chegando a ter 30 minutos. Fela Kuti foi, além de músico e compositor, um multi-instrumentista e ativista político.

Fela Kuti

Fela Kuti

Kuti tocava saxofone, teclado, trompete, guitarra e ainda fazia solos de bateria. Suas belíssimas canções foram gravadas, a maioria, em línguas nigerianas, o que acabou limitando o sucesso do estilo à sua região. Mesmo assim, esse artista completo galgou vários caminhos e chegou a patamares muito além das fronteiras do continente africano.

Recentemente, nós, brasileiros, fomos lisonjeados com a edição nacional da biografia do multi-instrumentista, intitulada “Fela – Esta vida puta”. A obra narra a vida de Fela Kuti em primeira pessoa, decorrente de horas de entrevista do autor, o escritor cubano Carlos Moore, com o nigeriano. No início do mês de junho deste ano, o biógrafo lançou o livro no Memorial Chico Science, local escolhido não por acaso, mas devido à influência exercida por Fela Kuti no movimento manguebeat, encabeçado pelo pernambucano Chico Science.

Além disso, a vida do ativista foi retratada em um musical de sucesso na Broadway, chamado “Fela!”, produzido pelos artistas  Jay Z e Will Smith. Assim, a história de Fela Kuti rodou o mundo e o consagrou como sendo um dos maiores nomes da música africana. Homem amado e perseguido até a sua morte, Fela tornou-se a voz do seu povo ao trazer os ritmos africanos para a era elétrica e criar uma obra vasta e densa com um valor inestimável.

O músico, declaradamente engajado na política, também desafiou autoridades e conduziu a revolução no seu país e, assim, esteve nas páginas culturais e políticas dos jornais da Nigéria. Outro capítulo à parte na vida de Fela Kuti são as suas 27 mulheres, que o acompanharam durante a idade adulta. Em 1986, o músico pegou AIDS, em um dos seus períodos na prisão. No ano de 1997, Fela Kuti passou para o plano superior e confirmou a convicção que todos tinham em relação à imortalidade da sua obra artística e, assim, seus ideais, suas composições e sua bravura entraram para a história.

Antônio Campos

Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana e Letras

camposad@camposadvogados.com.br

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