Ernesto Sabato

“Arte e Literatura unificam-se naquilo a que chamamos poesia”, disse, certa vez, o escritor argentino Ernesto Sabato. No último dia 30 de abril deste ano, Sabato deixou o plano terrestre e eternizou-se como um grande romancista, ensaísta, artista plástico e defensor da democracia da Argentina. Há apenas dois meses de completar 100 anos de idade, o escritor, vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura de 1984, mostrou ao mundo o seu valor artístico-literário, que transcendeu a sua idade biológica.

Autor das obras “O Túnel”, “Abadón” e “Sobre Heróis e Tumbas”, o escritor foi, ainda, dirigente da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), onde defendeu a democracia do seu país e o respeito aos Direitos Humanos. Durante a sua atuação frente à Conadep, Sabato publicou o informe “Nunca más”, sobre a repressão dos governos militares argentinos de 1976 até 1983 e que auxiliou no julgamento dos crimes cometidos durante o regime militar.

Foi na área da Física que o escritor deu início à sua vida profissional. Um dos maiores romancistas argentinos do século XX, Ernesto Sabato, no entanto, começou a sua vida literária com o romance “Nós e o universo”, publicado em 1945. Mas o reconhecimento internacional do seu trabalho só viria anos depois, em 1961, com a publicação do aclamado “Sobre Heróis e Tumbas”. O livro “A Espanha nos Diários da Minha Velhice”, de 2004, foi a sua última obra publicada. Ao longo da sua carreira na Literatura, este ilustre argentino uniu, majestosamente, o existencialismo à arte literária fantástica da Argentina.

Com a chegada da velhice, Sabato teve a visão prejudicada, o que o obrigou a deixar a escrita de lado. Partiu, então, para a arte plástica, onde se refugiou das dores causadas pela idade. Com o passar do tempo e o crescimento da sua debilitação corporal, o artista voltou-se para a área da música. E, assim, Ernesto Sabato nos transmitiu o real significado da apreciação da arte, no seu sentido mais puro e amplo, atingindo as mais diversas ramificações e explorando os seus inúmeros talentos, inestimáveis presentes deixados para o mundo inteiro.

Durante os seus 99 anos, o escritor carregou a resistência no próprio corpo e intitulou, assim, um obra inesquecível, chamada A resistência, que inicia-se assim: “Há certos dias em que acordo com uma esperança demencial, momentos em que sinto que as possibilidades de uma vida humana estão ao alcance de nossas mãos. Hoje é um dia desses”.

Antônio Campos
Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras
camposad@camposadvogados.com.br

PRESENÇA DE ANTÔNIO CAMPOS NA ONU

“Brasil e a Construção do Diálogo Civilizacional‏”. Documentário, lançamento e autógrafos

Antônio Campos celebra o êxito de sua curta estada em Nova Iorque quando, cumprindo uma diversificada agenda cultural, (23.05.2011) participou, juntamente com o acadêmico Arnaldo Niskier, o sociólogo Marcos Troyjo,  Gilberto Freyre Neto, da Fundação Gilberto Freyre, Marcelo Hallake, da Brazil Foundation, e o representante da Sociedade da Língua Portuguesa Ivan Cordeiro,  da gravação do documentário “Brasil e a Construção do Diálogo Civilizacional‏”, que terá formatos para televisão, rádio e internet. 
Além dessa importante atuação, autografou o seu mais recente livro: Diálogos no Mundo Contemporâneo, em edição bilíngue (português e inglês), durante a vernissage da exposição “Dialogues”, que reuniu as artistas  Christina Oiticica – “Ways of the rising and setting sun” – e Genevieve Maquinay – “Intimate Itinerary”  – no Exhibition Hall, onde habitualmente ficam os painéis de Candido Portinari – “Guerra e Paz” – atualmente em restauro no Rio de Janeiro.
 O evento é uma iniciativa da Casa Brasil, do Jornal do Brasil e da Sociedade de Língua Portuguesa das Nações Unidas, e repetiu o sucesso das edições anteriores de 2007 e 2008, contando com um público significativo e uma ótima divulgação na mídia local [NY] e no Brasil.
[Fotos do Jornal do Brasil]
News letter IMC

Hoje, “Diálogo Civilizacional” na ONU, NY

Participo, hoje, dia 23 de maio, de evento na ONU que inclui uma programação voltada para o tema “Diálogo Civilizacional”. Na pauta, o lançamento de meu livro Diálogos no mundo contemporâneo: por uma cultura de paz.

AGENDA UN/NY – 23/05/2011

9h30 Documentário gravado, em português, para TV no estúdio 5 da UN – de 10 às 11h – Headquartes UN, ancorado por Marcos Troyjo, sociólogo e cientista politico e pelo jornalista Osmar Freitas, com a participação de: Carolina Larriera, professora-visitante em Direitos Humanos da Havard University; Gilberto Freyre Neto, da Fundação Gilberto Freyre; Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras e renomado educador; Antônio Campos, escritor pernambucano e curador da Fliporto.

14h30 Entrevista Individual com cada um dos participantes no estúdio atual da Radio UN na second Avenue 300, esquina com 42th street, com a jornalista da rádio UN, Monica Vilela Grayley.

17h30 Coquetel de inauguração da exposição “Dialogues” que reúne as artistas “Christina Oiticica – Ways of the rising and setting sun” – “Genevieve Maquinay – Intimate Itinarary” no saguão “Guerra e Paz” da ONU.

Durante a vernissage da exposição “Dialogues”, Antônio Campos lança e autografa seu mais recente livro: Diálogos no Mundo Contemporâneo, em edição bilíngue (português e inglês).

21h00 Têrmino da cerimônia e coquetel.

Pintar ou Viver

Com apenas 50 anos de idade recém-completados, Candido Portinari aceitou um desafio que viria a ser mortal: pintar dois murais, para a sede da ONU, nos temas Guerra e Paz. As tintas contendo chumbo e pincéis representavam um risco letal à saúde do pintor, um verdadeiro processo de envenenamento, lento e silencioso. Em contraposição à essa situação, a arte era a razão da vida de Portinari. Quando ele recebeu a proibição de pintar em prol do seu bem estar, afirmou: ”Estou proibido de viver“.

Os famosos paredões de quatorze metros de altura e dez metros de largura, os mais importantes e reconhecidos trabalhos de Portinari, foram pintados, durante nove meses, a convite do governo brasileiro, na época representado por Juscelino Kubitschek. A cada pincelada, o pintor paulista se abastecia de coragem para conseguir terminar os esplendorosos murais, que se mesclavam entre o drama e a poesia, a fúria e a ternura.

Montagem de "Guerra" e "Paz" no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Imagem de Tasso Marcelo/AE, www.jornalacidade.com.br

Autor de mais de 5 mil obras, Candido Portinari expressou os sentimentos causados pela temática abordada. De um lado, o sofrimento, o desespero e a dor projetados no mural sobre a Guerra. Do outro, a felicidade, a valorização dos afetos e as experiências decisivas vividas por jovens, homens, mulheres e crianças, no decorrer da vida, que trouxeram bem-estar e a sensação de realização pessoal.

Apesar de tanto esforço e dedicação aos murais, Portinari, envolvido com um Partido Comunista, teve o seu visto negado e não pode ir a cerimônia oficial na ONU, em Nova Iorque, de inauguração e apresentação das suas obras. Enviou, então, um telegrama que dizia: “A luta pela Paz é uma decisiva e urgente tarefa. É uma campanha de esclarecimento e de alerta que exige determinação e coragem. Devemos organizar a luta pela Paz, ampliar cada vez mais a nossa frente antiguerra, trazendo para ela todos os homens de boa vontade, sem distinção de crenças ou de raças, para assim unidos, os povos do mundo inteiro, não somente com palavras mas com ações, levar até a vitória final a grande causa da Paz, da Cultura, do Progresso e da Fraternidade entre os povos”.

Com essas palavras e mais de 50 anos após a criação dos painéis, uma questão mostra-se contemporânea e, cada vez mais, urgente: a necessidade do diálogo entre os povos como uma forma de buscar a paz e respeitar a singularidade das diferentes culturas e crenças. Em fevereiro de 1962, a matéria de Candido Portinari descansou, mas deixou para todos nós a lição de perseverança e luta a favor dos sonhos, da causa da arte e da paz.

Antônio Campos

Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras

camposad@camposadvogados.com.br

Agenda de maio

Ciclo de palestras de Antônio Campos em de maio de 2011.

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