Artigo | Criação Imperfeita

Criação Imperfeita

Marcelo Gleiser é físico, astrônomo, escritor e professor da Dartmouth College, em New Hampshire nos EUA. No Brasil é colunista da Folha de São Paulo, mas ficou conhecido por escrever obras sobre física para o público leigo, como “A Dança do Universo” e “O Fim da Terra e do Céu” . Lançou recentemente sua obra Criação Imperfeita. O livro que faz uma reflexão de 250 anos de pensamento científico e que vai de encontro com um dos maiores mitos da ciência e da filosofia ocidental: o de que uma Unidade nos liga ao resto do universo.

Crédito: Divulgação

Marcelo Gleiser é astronômo e escritor.

Há milhares de anos a física tenta explicar como funciona a natureza e afirma que a mesma é a encarnação científica do monoteísmo. Não é de hoje que cientistas afirmam que, escondido na complexidade existente na natureza há uma única realidade que, por sua vez, é mais fácil de ser compreendida. A “Teoria do Tudo” liga as tradicionais leis da física, que regem grandes corpos e grandes forças, à ideia de que as partículas, apesar de pequenas são essenciais. Foi com o objetivo de comprovar essa tese que o autor escreveu a obra. O professor e escritor Stuart Kauffman acredita que Criação Imperfeita representa o inicio de uma fase onde a sociedade verá o mundo e suas mutações de maneira diferente.

Gleiser desmonta um dos maiores mitos da ciência e da filosofia ocidentais: o de que a Natureza é regida pela perfeição. Em Criação Imperfeita, o cientista brasileiro destaca a importância de coisas imperfeitas no desenvolvimento da matéria e do ser humano. Ele acredita ainda que a assimetria de algumas coisas é responsável por algumas das propriedades básicas da natureza e que as transformações que ocorrem no mundo são fruto de algum desequilíbrio. Inverte a ideia do poeta Vinicius de Moraes, onde “beleza é fundamental”, pois alega que o imperfeito é que deve ser celebrado ao invés da perfeição.

Gleiser argumenta que todas as evidências apontam para uma realidade onde as imperfeições e as diferenças são imprescindíveis na matéria e no tempo. O livro sugere um novo “humanocentrismo”, onde todo e qualquer tipo de vida é, segundo o autor, “raro e preciso”. Para o astrônomo, o surgimento de todas as estruturas materiais é fruto de alguma assimetria. O prêmio Nobel de Química, Roald Hoffman, concorda com o pensamento do autor e afirma que Gleiser é uma espécie de “guia lúcido” para encontrar a beleza em um universo cheio de imperfeições.

Antônio Campos | Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br

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